sábado, 26 de julho de 2014

Mangas e Quintais

Ao fazer meu café nesta manhã, a princípio ensolarada e agora nublada- domingo de Carnaval- degustei um bela manga, como sempre fazia quando criança, descascando-a à mão, e me lambuzando todo, chupando até o caroço.

E me vi nos meus tempos de criança, no quintal da minha casa, que tinha – até hoje, estão lá, mais de 50 anos de idade- , belas e saborosas mangueiras. Creio que a maioria, plantadas pelo meu pai, o saudoso “seu” Godofredo, como meus amigos costumavam chamá-lo.

Foi ele quem me ensinou a subir em árvores, para pegar frutas- ele, exímio escalador das mais altas copas da cidade de Campos- hoje Campos dos Goytacazes- habilidade que gostava de se gabar, com muita razão, diga-se de passagem. Dava gosto ouvi-lo falar e vê-lo subir, com tamanha facilidade, meu pai, na época, com cerca de 39-40 anos , e eu nos meus tenros 10-11 anos! Olhem só, eu, já tendo virado 60 ano passado, falando do meu pai , o “velho” , no esplendor da sua maturidade, quarentão, então! ( rima, involuntária...).

Bateu saudades do pai, da minha casa, do nosso quintal – a pequena chácara que meu pai tanto curtia ( 1000 m2 , extensão do nosso quintal, um terreno baldio que meu pai comprou, no início dos anos 70 e anexou ao terreno da nossa casa, )- e que tanto cuidou , junto com a mamãe , plantando muitas árvores frutíferas e belas palmeiras-reais (hoje, uma delas,com , provavelmente, mais de 40 metros de altura- uma hora dessas, farei a devida medição, para corroborar este dado). Bateu saudades dos dias em que subíamos árvores juntos – meu pai, meu irmão e eu – à cata das mais suculentas mangas. Temos de dois ou três tipos, me lembro de 2 : da manga-espada e da carlotinha- nem sei se são os nomes mais conhecidos , mas eram esses os nomes que aprendi com meu pai.

Esta nossa chácara era um sonho de consumo do meu pai, desde que nos mudamos para a nova casa, na rua do Gás,(nome oficial,rua dos Goytacazes, mas porque tinha um depósito de gás, lá no final da rua, bem lá longe...era mais conhecida como rua do Gás), numero 264. Quando o pai comprou a casa, me lembro bem indo vê-la, era bem feiinha, num terreno estreito e comprido – creio que 13 x 50 – mas numa rua, então tranquila, bem pertinho do campo de futebol do Goytacaz Futebol Clube e que certamente sofreria uma grande reforma. E foi o que o meu pai fez. A chácara era o terreno que ficava nos fundo da nossa casa e depois de uns 6 anos que nos mudamos, o pai a comprou e começou a fazer o seu pomar, transformando aquele terreno baldio na sua sonhada chácara.

A próxima coisa que me lembro, era já morando na casa nova, que adorávamos, e que tinha até bonde – sim, bondes, aqueles elétricos, tradicionais – passando bem na frente, o que facilitava nossos deslocamentos pro centro da cidade. Tempos bons.Sinto pena de nunca ter feito fotos desses bondes que pegávamos bem em frente de casa e que até um dia, chegou a furar uma bola de couro minha, depois de um chute mais forte do Badeco, colega de bairro. Brincávamos na pequena varanda da frente e um chute do forte Badeco – da minha idade, mas do dobro do meu tamanho- colocou a bola, não na cara do gol, mas bem na mira das rodas de ferro do bonde que passava . E aí, já viram, já era uma bola de couro ...!!!

Bem, mas estas e outras história e estórias, continuo a contar n´outra hora. Sentei aqui, só pra registrar a lembrança gostosa e saudosa que tive do meu pai e das nossas mangueiras do quintal da nossa casa, ao chupar até o caroço e me lambuzar todo, uma manga. Uma simples manga que me fez viajar no tempo. Quem disse que não podemos fazer isso- viajar no tempo ? Ou não tem memória ou não teve infância!

sábado, 14 de setembro de 2013

Já experimentaram como é gostoso (na maioria das vezes)velhos cartões rever,
velhas fotos achar,
agendas passadas, então, nem falar ...

É viajar no tempo
Sem máquinas
Sem... etc´s.

É, simplesmente
Sua vida
Recordar !!!

Beto Guzzo, escrito em 30/04


ACORDEI MÚSICO E POETA...

ACORDEI MÚSICO E POETA...

ACORDEI MÚSICO E POETA, AO LEVANTAR
E SEM SER NEM UM NEM OUTRO
VIAJEI NOS ACORDES DO ROCK
E UMA POESIA...POESIA(?)...OUSEI TENTAR

ACOMPANHANDO COM A MINHA CONGA...
DO MEU JEITO, TENTANDO NÃO ESTRAGAR O QUE OUVIA
CURTINDO UMA ONDA


MERGULHEI NOS POEMAS DE CRUZ E SOUSA,
BAUDELAIRE (quem diria ...?)
DO LEMINNSKI, “SAMURAI MALANDRO”
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
E DO MÁRIO QUINTANA...
ESSES TRÊS ÚLTIMOS, MEUS PREFERIDOS
DE QUEM SOU FÃ DE CARTEIRINHA,
TIETE DE MENTIRINHA


NÃO SENDO NEM UM NEM OUTRO, EMBORA O OUTRO
TENTO, ENSAIO SER
FIZ DA MINHA MANHÃ DE SÁBADO, ENSOLARADA
NA ILHA DA MAGIA, APRECIANDO A LAGOA DA CONCEIÇÃO,
MAIS ALEGRE, MAIS BELA, POR QUE NÃO, MAIS ENCANTADA.


PORQUE ASSIM QUIS, AOS EMBALOS DO ROCK, MINHA VIDA MUSICAR
INTROMETENDO-ME NA PERCUSSÃO( PERCUSSIONISTA SEM PLATEIA, QUE BOA IDEIA...)
PEDINDO LICENÇA A ESSES MESTRES DA POESIA, PARA AQUI ELOGIÁ-LOS, REVERENCIÁ-LOS
ATREVENDO-ME ESTES VERSOS...VERSOS(?)... ENSAIAR



Lagoa da Conceição
Florianópolis, SC, Brasil
14 de setembro de 2013

terça-feira, 23 de julho de 2013

Banalidades e Elocubrações !

Banalidades

Ban
Ali
Da
Des ?

Bom
Dali
Da
Des ?

Que
Tal
Lá
Te
Ver ?

Pra
Lá
De
Marra
Queres ?

Elo
CuBr
Ações !!!

sábado, 13 de abril de 2013

No Clarinho do Supermercado

Ao ver meu nome na tela o Caixa brincou – Carlos, como Carlos Drummond de Andrade, o escritor, alagoano(?)...!-
(Bem, o Drummond, era mineiro, nascido em Itabira, segundo sua biografia,mas, deixei rolar...Será que existiu um outro Carlos, escritor também, do Alagoas ?)

Fiquei, de certa forma, espantado(preconceito...tststs), com tal comentário. Uma pessoa, que aparentava ( somente aparentava) pouca ( quanta pretensão, eu ter essa imagem...tststs) cultura, fazer referência a um dos nossos grandes escritores do século XX, o grande poeta e cronista CDA! Tubo bem, que puxou o CDA, lá pra cima, mas - pensava eu- será que eu o corrigia? Falava com tal entusiasmo, que resolvi deixar pra lá e, desculpe-me Drummond, mas, pelo menos, por alguns minutos você se tornou alagoano...!

Indaguei, meio perplexo, enquanto ele passava minhas compras, pelo seu leitor de código de barras:

- Conhece, então o grande Carlos D Andrade ?-
- Sim, grande alagoano(?), assim como eu. Eu sou de lá, sabia ? – disse , orgulhosamente.
O sorriso do jovem, do alto da sua simplicidade, me impressionou e resolvi arriscar a pensar que ele realmente conhecia o CDA, só errando ,um pouquinho, suas origens. Assim, provoquei :

- Gosta de poesias ? Já leu livros do CDA ?

- Conhece “...(?).......” ? - Rebateu de volta, me dando uma sinuca, citando um nome de um livro que nunca tinha ouvido falar. Talvez, fosse, realmente um outro Carlos, escritor, mas ...! De qualquer modo, agora, quem começava a se sentir com pouca cultura, era eu ...!

- Esse não, mas já li muitos outros, muitas crônicas, gosto muito- , retruquei.

Elogiei sua terra natal, por onde, por coincidência, tinha acabado de passar por lá, pela primeira vez, há cerca de 1 mês.
- Linda cidade , Maceió. E Pajussara, que praia linda.! - , comentei.
- Pajussara,Pajussara..., é só alegria, alegria...-, falou, de volta, mostrando seu largo sorriso , e, com certeza, satisfeito de ter encontrado , ali, por breves minutos, um companheiro de bate-papo, com interesses em comum.
- E Cecília Meireles, conhece também ? - Volta a me provocar ( assim , pensei, por instantes ).

- Sabia que ela era órfã ? – Me dando mais uma sinuca...!
(Cecília Meireles, foi realmente uma filha órfã, criada pela sua avó! Bingo pro Caixa!)

- Bem, não conheço muito sobre a vida dela, somente li alguns dos seus poemas, é uma das escritoras da minha lista, ainda a ser explorada – respondi, de forma entusiástica, já, a essa altura, super contente de estar conhecendo o Wedson, um dos Caixas do supermercado Imperatriz, ali, na Mauro Ramos aqui de Floripa.
E começou, novamente a disparar, seu conhecimento de nomes de nossos escritores:

– E Cruz e Sousa, catarinense ?-
– Bem, este , claro, já ouvi falar muito, já li sobre, mas nunca li nada de sua autoria – respondi ,meio envergonhado , agora, da minha ignorância em termos de literatura catarinense.
- E você, já ouviu falar do Mário Quintana ? Este é um dos meus favoritos , conheço bastante coisa dele- falei, agora eu, também, com um certo orgulho !
– Ah, claro – disse o Wedson- já ouvi falar, mas não li, ainda , nada dele !-
- Bem, este, recomendo mesmo. Vale muito a pena -, disse .
Bem, as compras tinham chegado ao fim. Foram só 2 garrafas de vinho, incrível, mas tivemos bastante tempo, para o nosso bate-papo, sem que se formasse fila . Somente uma pessoa, apareceu naquele caixa, já quando eu encerrava e pagava , passando meu cartão. Parece que o universo conspirava ali, para que aquele breve e proveitoso encontro se realizasse.
E lá fui eu embora da minha experiência de compras, com um Caixa de supermercado, amante de literatura, e que , pelos seus largos sorrisos, pareceu ter curtido muito nosso bate-papo!
Confesso que, do alto dos meus preconceitos – que imaginava não ter ...tststs- jamais imaginaria ter esse tipo de conversa, logo com um Caixa de supermercado... “quantos, preconceitos, ocultos, carregava...” pensava com meus botões!.
Mas ali, não estava um Caixa qualquer! Tive a sorte de encontrar –mesmo que por poucos minutos – o Wedson, alagoano, que pegou emprestado pra sua terra natal, o mineiro Carlos Drumond de Andrade. Wedson, amante das letras, tal como CDA! Êta , Caixa arretado, cabra da peste!!