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quinta-feira, 20 de abril de 2023

Should he stay or should he go ? Parte I

 Fazia um tempo que ele não pensava mais nela. Ou, pelo menos assim achava. Na realidade, ela nunca saiu dos seus pensamentos, seus devaneios.

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Ela continuava a não lhe dar bola, a atenção que achava conseguiria dela e, embora tenha dado um tempo em seus breves contatos - sempre via mensagens e/ou " emojis" nas redes sociais- de vez em quando voltava à carga tentando despertar sua atenção ou ao menos sua curiosidade. Mas sentia-se no ar, no vazio, sem perceber nenhum interesse.

Será que estaria na hora de desistir de vez? De transformá-la, definitivamente, num personagem de um romance que talvez jamais escreveria - mas que sempre achava que algum dia fá-lo-ia ?

Muitas vezes chegou a tomar tal decisão, mas acabava desistindo de desistir e continuava a cortejá-la ...( será que ela percebia que estava sendo cortejada ?).

O fato que embora já fizesse um bom tempo que que assim agia - mais tempo que imaginava, descobriu ao rever suas primeiras investidas e constatar que fazia mais de dois anos que começara a tentar a chamar sua atenção - parecia que cada vez mais ela o atraia, o fascinava. 

Sua vida andava um pouco tumultuada, muitas coisas a resolver e dizia pra si mesmo que só iria se declarar mais explicitamente, ou dar um jeito de encontrá-la pessoalmente , depois que resolvesse algumas dessas coisas, sendo que a principal seria acabar de arrumar sua casa que do jeito que estava não podia receber ninguém . Assim , como convidá-la pra um jantar com um  belo vinho, na varanda, admirando a lua cheia ? Embora sua casa fosse especial num lugar maravilhoso, a desordem era tal que só ele mesmo frequentava...(sic!).

Ou talvez essa fosse a grande desculpa que tinha sempre na manga pra justificar sua falta  de ousadia em tentar um passo mais objetivo. Juntando com uma certa timidez,  estas desculpas o impediam de se lançar de vez no desafio de encontrá-la ao vivo e a cores e convidá-la pra conversar um pouco.

" ....ao vivo e a cores, sem filtros, sem "emojis", nem siglas e reticências!

Por breves minutos, para quem sabe um interesse despertar.

Ele queria poder sentir seu perfume, seu jeito, seus trejeitos ou mesmo os  seus "sem jeitos".

Ouvir sua voz em tempo real, seu charmoso sotaque ilhéu, ver seus olhos a um palmo de distância!

Ele queria poder estar com ela, 

...saber um pouco dela, poder contar-lhe um pouco de si..."

....

Ficava imaginando como seria tal cena:

- Oi,  tudo bem ? Lembra de mim ? O cara  do Instagram, Messenger, WhatApp, por onde a gente tem trocado mensagens já há algum tempo.

- Olá,  lembro sim . Tudo bem com você?

- Tudo e vai ficar melhor se você desta vez aceitar um convite meu , pelo menos para um café, tá afim ?

... .( silêncio, ela meio embaraçada, fica sem jeito de recusar - se assim pensava em fazer ) ....

- Tá, vamos, mas não posso ficar muito tempo , tenho um compromisso daqui a uma hora .

E assim - imaginava ele - ficariam quase duas horas conversando, ele contando tudo sobre a vida dele e ela , um pouco da vida dela .






sábado, 7 de maio de 2022

A Mulher Invisível ...ou seria Imaginária ?

 ...ele queria poder encontrá-la  e conversar um pouco, nem que fosse por apenas 5 minutos...ao vivo e a cores, sem filtros, sem "emojis", nem siglas e reticências...!

Por breve 5 minutos, para quem sabe um interesse despertar.

Ele queria poder sentir seu perfume, seu jeito, seus trejeitos ou mesmo os  seus "sem jeitos".

Ouvir sua voz em tempo real, seu charmoso sotaque ilhéu, ver seus olhos a um palmo de distância!

Ele queria poder estar com ela, mostrar-lhe coisas simples e agradáveis pra fazerem juntos, irem a lugares por perto  que talvez ela não conhecesse.

...saber um pouco dela, poder contar-lhe um pouco de si.

Quem sabe, no meio de tudo isso, algo maior pudesse acontecer ...ou não ! Teriam ao menos tentado. Ficaria, neste caso, uma bela lembrança de bons momentos. Quem sabe , uma gostosa amizade?

Mas só saberiam, se arriscassem a tentar, a experimentar o desconhecido!

( ...ele gostava de lembrar algo que um dia leu em algum lugar que dizia "...é melhor se arrepender das coisas que fizemos do que daquelas que sequer tentamos...")

E, imaginando que tivesse mandado estas linhas pra ela, escreveu :

"P.S : ...eu não mordo , viu ?"



sábado, 27 de novembro de 2021

A MULHER IMAGINÁRIA(?) INVISÍVEL

          

    Ele a viu, pela primeira vez, numa mostra de arquitetura, numa “Casa Cor” dessas que teve, já faz alguns anos. Ela chamou sua atenção pela beleza, pelo charme e, naquele momento, nem lhe passou pela cabeça maiores interesses. Ele estava num relacionamento muito bom, mas ela lhe despertou algo mais, uma certa e diferente atração, talvez fosse a palavra certa– será que ele olhava pra tudo quanto era mulher bonita assim? ...ou aquela, em especial, tinha algo mais ...?  Guardou pra si apenas a sensação de mais um desses momentos de admiração, de contemplação...assim pensava na época...ou, ao menos, achava que assim pensava!

O tempo passou e ele nunca mais a viu, embora ouvisse falar dela – pois arquiteta renomada na cidade. Lembrava, vagamente, de ter esbarrado com ela, na praia, num desses verões maravilhosos, numa badalada praia da cidade. Ao chegar na praia, ela estava de saída com sua filha pequena e não estava acompanhada – na época ele, que estava "single", recém-saído do seu último relacionamento, prestava mais atenção nestes detalhes...! Trocaram um cumprimento rápido, por educação, do tipo “...oi, tudo bem...”, fruto, talvez daquele contato lá trás na tal mostra de arquitetura, quando conversaram um pouco sobre o projeto que ela apresentava e ficou a sensação de que já se conheciam.

As águas rolaram, amores novos vividos e encerrados, e eis que ele a acha, mais uma vez, só que, agora, na “Rede”, na “Web”, numa dessas redes sociais digitais, no Instagram.  Passou a ver seus “posts”, passou a “segui-la”, se tornando apenas mais um dos seus mis seguidores – ela publicava muita coisa dela e da sua filha, assim como várias dicas de decoração e também publicações  sobre projetos de arquitetura e outras de cunho pessoal, sobre momentos de lazer em casa e também fotos de  viagens. Ele curtia e fazia breves comentários e esperava que ela o seguisse de volta – o que não aconteceu, para sua frustração. Ele também tinha um perfil no Instagram, onde publicava mais fotos e, eventualmente, algumas prosas – fotógrafo amador que era e, autointitulado, aprendiz de escritor!

Esperava, com o tempo, que alguma relação – ao menos de amizade - se desenvolvesse. Chegou a ser um pouco contundente – vencendo uma certa timidez - convidando-a para um café, um almoço na beira da praia– tudo por mensagens – sendo elegantemente recusado. Pensou em desistir do contato, mas algo o impedia de fazê-lo e assim continuava, enviando “likes” , “ emojis” , curtidas, pras suas publicações nos “ feeds” e “ stories” do Instagram. Terminologia desses tempos modernos da cultura digital!

Mais recentemente ao comentar uma de suas publicações – um vídeo de uma bela paisagem- descobriu que ela morava no seu bairro, até bem próximo da sua casa.  Mas como podia ser isso, se nunca – quase nunca, pois uma única vez a viu de carro pelas suas redondezas- a via pelo bairro, pensou, intrigado. Tinha até certa certeza que ela moraria num outro bairro bem distante, pelas fotos que publicava, e que o fazia lembrar de uma outra praia da cidade. Ao compartilharem comentários sobre fotos de uma bela noite de lua cheia, descobriu que sim, ela morava bem perto da sua casa.

Intrigado, pensava como tal coisa seria possível se nunca a vira, nem num Super, nem numa Farmácia, nem nos Cafés, nem nos restaurantes do bairro, nem nas praias por perto, nem andando por aí e nem dando uma volta de “ bike” na ciclovia do bairro e nunca nem mesmo  chegou a cruzar de carro por ela – o que, certamente, teria notado. Chegou até a perguntar pra ela – sempre por mensagens – como assim? Ao que ela lhe respondeu que , “ ...praticamente não saio, não circulo por aí, fazendo tudo em casa ...” (?) . Ou será que ela saia e usava uma capa que a tornava invisível, começou a   voar na sua imaginação!

Isso, ela deve ter aquela capa das historinhas de filme de ficção científica, que quando veste, a torna invisível e ela pode sair por aí sem ser notada, pensava. Só podia ser isso, pois ele morava no bairro, desde que chegou na cidade –vindo do Rio - há muito, muito tempo e mais especificamente naquela vizinhança há quase 20 anos e nunca a via por perto. Bem, provável que ela tivesse se mudado há pouco tempo – era uma curiosidade que iria tentar sanar. Já havia descoberto (?), numa dessas trocas de mensagens,  que o tal outro lugar das fotos do seu Insta era, realmente, numa outra praia, o apartamento onde ela  morou antes de se mudar pra esse bairro onde ele morava, conjecturava.

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Ele tomou coragem e a convidou, mais uma vez, para sair e fazer algo juntos – já que ela comentou que estava sempre muito ocupada, o tempo todo praticamente em casa e, parecia,   “desligada“ do mudo exterior! Fazer uma trilha inusitada, tomar um café especial, almoçar num lugar diferente, etc., etc., ..., chegou a fazer uma listinha de coisas interessantes e diferentes pra ver se ela se interessaria! E mais uma vez (sic),  recebeu, de forma educada e elegante, uma bela recusa...! Tststs...! O placar lhe era bem desfavorável: 0 x 2 ... e ainda no primeiro tempo!

Bem, o que fazer? Pensava com seus botões ...! Ele estava com essa curiosidade e vontade, muito forte de querer conhecê-la melhor. Ao vivo e a cores, pois só a conhecia (?) de vista e pelo Instagram, pelas suas publicações e pelas poucas mensagens que tiveram chance de trocar!

Não sabia se a “transformava” em personagem de um romance ainda a ser escrito, pra esquecê-la de vez – sugestão de um escritor que ele leu em algum lugar, sobre como se esquecer de uma mulher que não te corresponde; se continuava com esse contato digital (Instagram), e imaginando-a invisível quando saísse por aí, com sua capa mágica ou se..., se ... – faltavam-lhe palavras pra decidir o que fazer, pois tarde da madrugada já era quando pensava sobre tudo isso.

Pensou – antes de parar pra dormir um pouco- que, talvez, fosse tudo imaginação sua desde o começo dessa história. Que ela tivesse sempre sido a "Mulher Maravilha" apenas nos seus sonhos, imaginária e invisível com a sua capa mágica, o tempo todo. Que aquele momento na mostra “Casa Cor “ nunca tivesse ocorrido e que o encontro fortuito na praia tivesse sido também fruto da sua imaginação. E que toda essa história de segui-la no Instagram e até essas poucas trocas de mensagens relatadas, parte do enredo do seu imaginário.

Quem sabe melhor assim, para, pelo menos, dormir em paz...pelo menos hoje, agora!

 

P.S.: esse relato é uma ficção,  criação desse aprendiz de escritor  e qualquer semelhança com fatos e personagens reais , pode não ser mera coincidência !

 

sábado, 5 de setembro de 2009

"Nite Stop..."

São três e meia da madruga e ele se dá conta que está pensando nela !
Chegando de uma viagem, bateu o sono e ele parou num posto de gasolina, onde tinha uma lanchonete. Dormiu o sono gostoso dos anjos, relaxou !
Tinha muita estrada ainda pela frente. Continuar com sono, nem pensar .

Começou a acordar depois que tomou um bom café forte, um expresso dos bons ! “Que bom que tinha uma lanchonete aberta àquela hora “, pensou !
.
Um grupo tocava violão, ele volta a pensar nela , sentindo uma vontade que ela ali estivesse para dançar com ela.
O que era isso ? O que estava acontecendo ? Sentia coisas que o arrebatava da sua costumeira quietude, da sua solidão, no meio de uma noite fria de inverno...!
Um café expresso com uma espuminha de leite, um “machiatto”,diriam os especialistas em café.
Acordou de vez, saboreando cada gole do café... Enrolou um cigarrinho - não era de fumar muito, só de vez em quando, de curtição, curtia um “handrolling tobacco”, um fumo de enrolar holandês, que vez ou outra trazia consigo, puro tabaco, sem nicotina, sem química, que se enrola numa seda, tipo os antigos faziam com seus fumos de corda- , e do lado de fora da lanchonete, curtiu umas boas tragadas, o sabor achocolatado da fumaça!

De repente começou a refletir sobre o que pode tê-lo feito parar ali, naquele lugar e deixar que seus pensamentos voassem até ela .
Mistura de sentimentos, nostalgia, saudades de um tempo não vivido, de coisas esquecidas, de instantes recentes lembrados, de oportunidades perdidas ... !
Tava sendo muito gostoso só pensar na possibilidade de reencontrá-la. Não tinha a menor idéia onde tudo aquilo iria dar...se é que era para dar em alguma coisa !
Tava sendo gostoso pensar nela, curti-la, talvez a distância ajudando, o mistério do desconhecido, a curiosidade, o sabor, talvez, de uma paixão não vivida !

Bancava o poeta, o escritor da madrugada, o tipo “ébrio” dos bares que, após uns tragos, escreve um bilhete pra pessoa amada!
Devaneios, simples palavras, jogo de rimas, ao som de fim de baladas...!

Deu vontade de escrever para ela, pensou até em ligar, acordá-la, pra algo declarar...mas o que diria ? Que estava com saudades? Que queria lá estar, ao seu lado ?
Quem sabe, um dia desses...?
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Apagou o cigarro e , num movimento brusco, como que acordando de um sonho, entrou no carro e retomou seu caminho!