sábado, 11 de outubro de 2025

O ENCONTRO...O FIM SEM SEQUER TER COMEÇADO !

Finalmente ia acontecer ...o esperado encontro , ao vivo e a cores. Ele viu num post dela uma chamada para um evento numa loja especializada em móveis de marca que iria ter um"talk-show" sobre peças de um certo arquiteto que ela ajudara a torná-lo conhecido na cidade. Por meio de suas ações um renomado estilista, designer de móveis estivera na cidade anos atrás, ciceroneado por ela. Claro quE ela estaria lá e ele viu isto uma deixa para encontrá-la. 

Preparou-se todo, escolheu uma roupa legal, arrumou-se mais do que o normalmente fazia, esperando estar "bem na foto" para quando a encontrasse. Chegou até a ficar um pouco nervoso ao se aproximar do local, pensando como seria, como poderia se aproximar sem parecer muito invasivo...sei lá , muitas coisas passavam pela sua cabeça e ...não via a hora de encontrá-la. 

Chegou antes dela, obviamente. Conheceu os anfitriões, apresentou-se como um interessado em negócios e por isso teve curiosidade de ir ao evento. Claro, pra ninguém confessou que estava ali só por causa dela...às favas com o tal " bla-bla-bla" sobre os móveis inspirados e/ou da linha , da marca do tal arquiteto renomado. 

Ela chega, bem depois de estar lá, já no terceiro ou quarto copo de vinho e muitas incursões às mesas de frios, salgados, etc., "buffet" de altíssimo nível , tudo muito saboroso. Ela veio ao encontro do grupo com quem conversava pois ali estava o anfitrião dono da loja. Cumprimentos formais , nada demais, embora estivesse ele , " tremendo nas bases" vendo-a assim tão perto como jamais estivera e , ao mesmo tempo, distante como sempre...

Esperou a hora certa de começar uma conversa e foi logo abrindo o jogo, demonstrando seu interesse nela , lembrando inclusive das " deixas" que ela havia dado nas conversas iniciais pelas redes - mas que ela - para sua surpresa e decepção , nem se lembrava . "...será que os minis AVC´s que ela tivera a afetaram tanto assim, ?..."  , pensava ele. Mas , decidido foi em frente e confessou seu interesse nela e a vontade de conhecê-la melhor, pra quem sabe, mais na frente, algo mais sério brotar...

Uma ducha de água fria levou logo de cara quando ela disse , bem diretamente, não querer , não ter vontade de começar qualquer envolvimento e que estava ótima, na dela, sozinha e que assim iria ficar ...ouvindo essas palavras , todo o seu sonho da possibilidade de algo romântico acontecer entre os dois, foi por água abaixo e sentiu um tremendo vazio no peito  que o deixava sem palavras. Muito requisitada , logo se afastou para ir conversar com demais convivas....afastou-se como uma nuvem passageira que chega, dá sua sombra e se afasta, .deixando, no caso dele, um coração despedaçado. Quanta coisa idealizara desse primeiro encontro - bem, esperava que fosse algo mais íntimo, um encontro só a dois, mas como esta oportunidade não aparecera, foi na geral mesmo, para ver ,  se no meio da multidão de um evento como aquele, conseguiria atrair sua atenção. Ela chegou a ser até um pouco " antipática", mostrando um desdém desnecessário , uma vez que , no passado chegado chegou a demonstrar um certo interesse, botando o que ele considerou um " pequeno graveto numa fogueira"...mas talvez, um fogo que somente ele tinha visto , sentira. 

O restante da noite ficou sem graça....ela zanzando pra lá e pra cá, sempre muito bonita e elegante, mas sem dar a menor bola pra ele.  Fim de jogo mesmo, pensou. Hora de tirar o time de campo e passar para outras partidas! Pena, pensava...como podia , que depois de várias mini conversas pela rede, trocando algumas ideias e até falando  - ela - de como idealizava um novo amor , ao lhe enviar a letra da música " Pra Viver Um Grande Amor " do Cazuza, demonstrasse tamanho desinteresse?  Será que tais coisas só aconteceram na sua imaginação? Não, tinha até documentado no Instagram, esta conversa entre os dois mas que não estava mais acessível , pois ela  o tinha bloqueado -coisa que ela também não se lembrava que fizera ...??? - e assim a tal conversa  tinha desaparecido para ele,,,!

Fim de noite triste. Despediu-se rapidamente dela - que ocupada sempre estava, conversando e tirando fotos , já que era parte do "show" também. Até sua beleza que tanto o encantava já não  brilhava tanto mais aos seus olhos. De repente , ela já não era tão bonita assim nem tão atraente. Era tudo  impressão de alguém que se apaixonara por uma mulher que não existia  na realidade.

 A tal mulher invisível, a mulher  imaginária dos seus primeiros relatos. Tudo apenas um grande sonho que passou somente pela sua cabeça  mas que deixou algumas marcas no seu coração.

Não chegou a escrever o tal livro  sobre ela, no qual ela desapareceria como um personagem misterioso que habitou somente seus pensamentos. 

Limitou-se a escrever esta crônica, pondo um ponto final num " Love Story" que jamais existiu .


                                                                         F I M



quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

A Falta que Ele Sentia

 

Sentia falta de andar de mãos dadas

...de um encontro marcado

... de corpos entrelaçados

...de um beijo amassado

 

Sentia  falta de um encontro inesperado

...de um abraço apertado

...de um beijo gostoso no alto de uma  escada

...de um " até já" , para um cinema, quem sabe

 

Sentia  falta  não de  alguém, mas dela

 ...sentia falta dela , embora nunca a tivesse

...sentia falta da oportunidade de tentar tê-la

...não o "ter" de posse mas o " ter"  de ficar lado a lado

...amando-a e sendo amado

 

Ah, ele sentia falta, muita falta, não imaginem quanto    

...pensava  em ligar...arriscar um movimento. mais ousado 

...mas sua timidez o impedia  


Ele sentia  falta até da sua recusa, manifesta nas mensagens que trocavam

O silêncio aumentava o  vazio que sentia


Deveria  insistir? Pois em algum momento passado, uma deixa , um sinal foi dado.

Não aproveitado...lamentava-se...Tímido foi !

Sozinho ficou

             Por enquanto ...

A Idealização

 Ele não parava de pensar nela. Precisava saber se tudo aquilo que imaginava dela era real mesmo ou só (?) fruto da sua imaginação.

Sonhava- de olhos abertos- com quase encontros ,  desencontros e conversas pelos meios digitais que aguçava cada vez mais sua   curiosidade.

Imaginava , finalmente , o esperado encontro, ao vivo e a cores,  onde conversariam por longos minutos , combinando saírem juntos numa próxima vez,  num ( provável?)" first date" !

Será que daria certo?

Ele se imaginava surpreendendo-a e cativando-a cada vez mais.  Ele  a imaginava sempre alegre, feliz, sensual, despertando cada vez mais sua atração, sua vontade  de passar cada vez mais tempo com ela, num relacionamento leve,tranquilo , sem (muita) cobrança e de confiança mútua.

Depois do que ela lhe escrevera (num bate-papo no Instagram) sobre como gostaria de viver um novo amor - música do Cazuza "Todo o amor que houver nessa vida":

“Eu quero a sorte de um amor tranquilo

Com sabor de fruta mordida

Nós na batida no embalo da rede

Matando a sede na saliva

Ser teu pão, ser tua comida

Todo o amor que houver nesta vida

..................................................

Transformar o tédio em melodia

Ser teu pão, ser tua comida

Todo o amor que houver nessa vida

E algum veneno anti monotonia "


- ele se imaginava protagonista da sua idealização.

Conseguiria ?

E ela seria tudo aquilo que ele imaginava?

Só saberia se ousasse convencê-la a experimentar!

Conseguiriam ?



Uma noite dessas, ele sonhou com ela...

Outra noite dessas ele sonhou com ela. Foi um sonho rápido mas muito gostoso.

Ele a viu num Shopping - totalmente fora de sua realidade,  ela era uma repórter de TV e fazia algum tipo de entrevista- e assim que ela ficou sozinha, chegou, delicadamente, por trás , pegou-a pelo braço e a convidou para um  café, não lhe dando tempo pra uma recusa.

E assim, finalmente se encontraram.

E o " café de 5 minutos " se transformou numa gostosa e envolvente conversa de mais de 1 hora.

Ele pode falar um pouco de si, ouvir bastante dela, conhecer alguns dos seus trejeitos e "sem-jeitos", curtir seu leve e belo sotaque ilhéu, admirar seu lindo rosto a um palmo de distância, sentir seu delicioso perfume.

Sentiram-se tão à vontade que até "rolaram" uns beijos , suaves, superficiais , tímidos, lábios apenas se tocando!

Quando parecia que algo mais aconteceria, ele acordou e ...ficou , literalmente, com água na boca, ainda sentindo o gosto daquele contato imaginário, sonhado...!


quinta-feira, 20 de abril de 2023

Should he stay or should he go ? Parte I

 Fazia um tempo que ele não pensava mais nela. Ou, pelo menos assim achava. Na realidade, ela nunca saiu dos seus pensamentos, seus devaneios.

.......................................................................

Ela continuava a não lhe dar bola, a atenção que achava conseguiria dela e, embora tenha dado um tempo em seus breves contatos - sempre via mensagens e/ou " emojis" nas redes sociais- de vez em quando voltava à carga tentando despertar sua atenção ou ao menos sua curiosidade. Mas sentia-se no ar, no vazio, sem perceber nenhum interesse.

Será que estaria na hora de desistir de vez? De transformá-la, definitivamente, num personagem de um romance que talvez jamais escreveria - mas que sempre achava que algum dia fá-lo-ia ?

Muitas vezes chegou a tomar tal decisão, mas acabava desistindo de desistir e continuava a cortejá-la ...( será que ela percebia que estava sendo cortejada ?).

O fato que embora já fizesse um bom tempo que que assim agia - mais tempo que imaginava, descobriu ao rever suas primeiras investidas e constatar que fazia mais de dois anos que começara a tentar a chamar sua atenção - parecia que cada vez mais ela o atraia, o fascinava. 

Sua vida andava um pouco tumultuada, muitas coisas a resolver e dizia pra si mesmo que só iria se declarar mais explicitamente, ou dar um jeito de encontrá-la pessoalmente , depois que resolvesse algumas dessas coisas, sendo que a principal seria acabar de arrumar sua casa que do jeito que estava não podia receber ninguém . Assim , como convidá-la pra um jantar com um  belo vinho, na varanda, admirando a lua cheia ? Embora sua casa fosse especial num lugar maravilhoso, a desordem era tal que só ele mesmo frequentava...(sic!).

Ou talvez essa fosse a grande desculpa que tinha sempre na manga pra justificar sua falta  de ousadia em tentar um passo mais objetivo. Juntando com uma certa timidez,  estas desculpas o impediam de se lançar de vez no desafio de encontrá-la ao vivo e a cores e convidá-la pra conversar um pouco.

" ....ao vivo e a cores, sem filtros, sem "emojis", nem siglas e reticências!

Por breves minutos, para quem sabe um interesse despertar.

Ele queria poder sentir seu perfume, seu jeito, seus trejeitos ou mesmo os  seus "sem jeitos".

Ouvir sua voz em tempo real, seu charmoso sotaque ilhéu, ver seus olhos a um palmo de distância!

Ele queria poder estar com ela, 

...saber um pouco dela, poder contar-lhe um pouco de si..."

....

Ficava imaginando como seria tal cena:

- Oi,  tudo bem ? Lembra de mim ? O cara  do Instagram, Messenger, WhatApp, por onde a gente tem trocado mensagens já há algum tempo.

- Olá,  lembro sim . Tudo bem com você?

- Tudo e vai ficar melhor se você desta vez aceitar um convite meu , pelo menos para um café, tá afim ?

... .( silêncio, ela meio embaraçada, fica sem jeito de recusar - se assim pensava em fazer ) ....

- Tá, vamos, mas não posso ficar muito tempo , tenho um compromisso daqui a uma hora .

E assim - imaginava ele - ficariam quase duas horas conversando, ele contando tudo sobre a vida dele e ela , um pouco da vida dela .






sábado, 7 de maio de 2022

A Mulher Invisível ...ou seria Imaginária ?

 ...ele queria poder encontrá-la  e conversar um pouco, nem que fosse por apenas 5 minutos...ao vivo e a cores, sem filtros, sem "emojis", nem siglas e reticências...!

Por breve 5 minutos, para quem sabe um interesse despertar.

Ele queria poder sentir seu perfume, seu jeito, seus trejeitos ou mesmo os  seus "sem jeitos".

Ouvir sua voz em tempo real, seu charmoso sotaque ilhéu, ver seus olhos a um palmo de distância!

Ele queria poder estar com ela, mostrar-lhe coisas simples e agradáveis pra fazerem juntos, irem a lugares por perto  que talvez ela não conhecesse.

...saber um pouco dela, poder contar-lhe um pouco de si.

Quem sabe, no meio de tudo isso, algo maior pudesse acontecer ...ou não ! Teriam ao menos tentado. Ficaria, neste caso, uma bela lembrança de bons momentos. Quem sabe , uma gostosa amizade?

Mas só saberiam, se arriscassem a tentar, a experimentar o desconhecido!

( ...ele gostava de lembrar algo que um dia leu em algum lugar que dizia "...é melhor se arrepender das coisas que fizemos do que daquelas que sequer tentamos...")

E, imaginando que tivesse mandado estas linhas pra ela, escreveu :

"P.S : ...eu não mordo , viu ?"



Ensaios sobre o mesmo tema...

 "..que bom acordar 

             com o barulho do silêncio..."


"...que divino e abençoado, acordar e usufruir

              do barulho do silêncio da manhã..."



( anotações feitas em 27/06/2010)

.

Lembranças do Meu Pai...

 Toda vez que faço o café da manhã, quase sempre passado num coador de pano, me lembro do meu pai que fazia isso todos os dias, para que quando a mãe acordasse, o cafezinho de todos nós já estivesse pronto. Ele também andava até a padaria perto da nossa casa, comprava o pão e também punha a mesa.

....seu Godofredo, meu pai.

Lembro-me também, muito bem mesmo, do seu rosto alegre, com aquele sorriso maravilhoso, sua mão carinhosa me afagando o rosto, pra me acordar levemente pra aula ...! Abria os olhos e o via  sorrindo, dizendo que era a hora de levantar. Hoje, fecho os olhos e me lembro muito desses momentos, dele, meu saudoso pai...!

Seu Godofredo, meu pai...!


( escrito em 27/06/2010)

segunda-feira, 4 de abril de 2022

NA VIDA TUDO PASSA...! ( II)

 Na vida tudo passa

    O ônibus passa

       O trem passa

A carona passa

    A oportunidade passa...

Até a roupa passa

   Sem falar na uva passa !


...sobre a loucura das palavras e devaneios linguísticos, sob

a inspiração do Paulo ( Leminski) ...!


domingo, 3 de abril de 2022

À Toa. Em Cracatoa ou...?

 Queria fazer uma poesia 

                                 à toa ...

                          Em Cracatoa!

Onde fica isso ?

  Será que existe só na minha imaginação ?

Na estórias de quadrinhos, nos filmes de animação ?


Onde ouvi , li , numa boa

      Sobre Cracatoa ?

Ou seria Kracatoa ?


Teria sido numa tira de quadrinhos do Armandinho ?

                                                Henfil ?

Ou no rádio ou num programa de TV ?


Ou tudo isso não passa de uma craca à toa ?


Tudo Passa ... Passa ? ( I )

 Tudo passa...

E  se passa, será que é bom ou não ?

A melancia passa...ihc!

 O maracujá, a goiaba,  passam  ?

Estas " passadas" não são boas!


 Mas tem a uva passa , que é boa ...!

 A roupa passada fica melhor...!


Os amores passados ...

  Alguns bons, outros nem tantos, talvez...?

Mas se foram amores, bons foram, pelo menos enquanto duraram...


Mas com certeza, a vida que passa

   Sem passos e paços...

     Se em branco passar 

         Também não é boa!


terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Vindo a Campos não dá pra ...


               Toda vez que venho visitar minha mãe e irmãos que moram em Campos dos Goytacazes – minha cidade natal – não dá pra deixar fazer certas coisas:

- rodar por toda a  cidade, de bicicleta, pois é toda plana, praticamente sem subidas;

- fotografar o que ainda resta dos prédios antigos;

- visitar o mercado municipal – também, lamentavelmente, abandonado e desfigurado pelas construções que foram permitidas fazer no seu entorno- e andar pelos corredores da feira livre ao lado do prédio histórico principal e depois dar uma passadinha por dentro pra relembrar como era o mercado antigamente;

- visitar o nosso querido Liceu de Humanidades de Campos e dar um passeio pelo jardim em frente, que me remete aos tempos de escola do ginásio e científico, viagem ao túnel do tempo garantida;

- comer um churrasquinho – antigamente no Baiano – agora no Chá-Chá-Chá ali no final da sete de setembro ou no Sangue Bom na Pelinca, perto da Santa Casa;

- comer as guloseimas – doces, rosquinhas, etc., - da cidade, principalmente o bolo/doce de banana do Pão Quente, e os Chuviscos - feitos sob encomenda – da dona Engracia, cristalizados e em calda, os melhores Chuviscos do mundo;

- ir ver o nascer do sol na ponte da Lapa, onde o sob despeja seus brilhos sobre o imponente Paraíba do Sul;

- ir até a foz do Paraíba do Sul – no Pontal- em Atafona, no município vizinho de São João da Barra, praticamente no quintal de Campos (35 km), pra comer um peixe no Ricardinho e apreciar também um dos mais belos pores do sol que já presenciei na minha vida;

- e, claro, aproveitar, dar uma esticada até a praia vizinha  de Grussaí, indo pela orla, de Atafona até Grussaí, curtindo o vento nordeste e as belas amendoeiras que ornamentam todo o trajeto;

- e, também claro pra mim, tomar um belo banho de mar, seja em Atafona ou em Grussaí, quem sabe até nas duas praias, pois como meu pai sempre me dizia “ ..se você for à praia e não cair n´água e  tomar um belo banho de mar, faça sol ou faça chuva, esteja a água fria, gélida ou quente, você não pode me dizer que foi à praia...” , ensinamento que sigo à risca, com o maior prazer, desde sempre;

- passar ali no ponto de taxi – que antigamente chamávamos de carros de praça- da rua Sete com a Barão de Cotegipe e rever o Zezinho, motorista de carro de praça que nos atendia quando éramos pequenos e nosso pai ainda não tinha carro. Zezinho, hoje com 85 anos, completou ano passado, 60 anos de “praça” e hoje, ao reencontrá-lo durante o meu passeio matinal de bicicleta me relembrou dos tempos que nos levava para as praias, Raposo (Estação d´Água Mineral) e pra lá e pra cá toda vez que necessário. E, desta vez, relembrou também que começou na trabalhar na Praça exatamente no dia em que a minha vó Morena (mãe do pai) faleceu, tendo ido ao seu funeral, já que a avó -viúva do Seu Godofredo Cruz – era pessoa conhecida e querida na cidade. Ou seja, isso em 1961 e, segundo ele, tendo acontecido num domingo, fato que ainda falta confirmar. Eu, na época tinha 8 anos e me lembro bem do dia em que minha vó – que morava conosco - faleceu. Mas não me recordo do dia da semana.  

- e por último mas não menos importante, rever os velhos amigos dos tempos de infância e adolescência..

   Ou seja, uma visita à Campos é sempre uma viagem ao passado, com belas lembranças e belos passeios.

 

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

O Vento Que Só Aqui Sopra Assim...

           Meu saudoso tio Wilson, irmão do pai, que morava em Niterói, costumava dizer que só aqui em Campos, tem uma área urbana em que se consegue sentir essa " fresca" que sopra do litoral, como se estivéssemos à beira da praia. Ele se referia ao "famoso" vento nordeste que, principalmente agora no verão, nos brinda com suas belas e frescas rajadas, como em nenhum outro lugar, para uma cidade que não esteja situada bem no litoral, à beira-mar.

            Campos dos Goytacazes, ou simplesmente Campos para os mais "íntimos" tem essas coisas. Coisas que só por aqui se acham. Tem esse vento nordeste, tem as pequenas padarias com suas rosquinhas amanteigadas, bolo Amélia e doces de banana, além da famosa goiabada cascão, que na realidade, as melhores são feitas no município vizinho de São João da Barra. E claro, os mais famosos ainda, "Chuviscos" (docinho à base de ovos, em forma de uma gota de chuva) - em calda ou cristalizados- que iguais aos daqui não existe em nenhum lugar do mundo - palavra de Campista ! Tanto que nas grandes festas de casamento no Rio de Janeiro (300 km daqui), os chuviscos de Campos são presença certa, além de demais docinhos, também especialidades das muitas doceiras da cidade.

            Mas volto a falar do vento nordeste. O município de Campos, com cerca de 4 mil km2 - o maior do Estado do Rio - é localizado numa grande planície, a Planície Goytacaz, o que facilita a entrada do vento que quase sempre sopra neste litoral. É muito gostoso sair andando pela cidade, a pé mesmo ou de bicicleta, pelas suas tranquilas ruas, apreciando ainda o que resta dos casarios e prédios do início do século passado e até mesmo do século retrasado. Muita história pelas ruas da cidade, pena que pessimamente cuidado e desprezado. Mas mesmo com os descuidos de quem deveria cuidar, alguns ainda insistem em sobreviver e continuam nos brindando com todas suas belezas e recordações. E sempre com o gostoso vento nordeste refrescando nossos corpos. O vento aqui – ao contrário dos ventos da região sul – quase não fazem barulho, praticamente não silvam e, silenciosos, nos proporcionam admiráveis momentos de frescor.

            Aqui na nossa casa, situada à rua dos Goytacazes (ou rua do Gás), temos um corredor aberto, do lado esquerdo da construção pra quem olha da rua, que termina numa entrada que dá para uma área de estar onde tomamos café, e bem em frente à porta, temos um antigo sofá, disputado pelos moradores da casa – e visitantes da família – que pega o vento “encanado” neste corredor, bem de frente e torna o lugar , um dos mais, senão o mais fresco da casa, tal a intensidade e gostosura  com que esse abençoado vento nordeste ali chega, na temperatura perfeita, refrescando sem provocar nenhum frio.   A “siesta” pós-almoço ali, nos transporta para as casas de praia em Grussaí ou Atafona, as 2 praias aqui perto, onde costumávamos passar os verões desde os tempos de infância, onde nosso pai, todos os anos alugava alguma casa. Nunca tirei uma soneca tão gostosa- não estando na praia-  como as que ali tiro,  aliás, coisa (dormir um pouquinho pós almoço) que só faço quando aqui venho para visitar minha mãe e irmãos, pois moro fora desde os tempos de cursinho de vestibular.

            Enfim, só vindo a Campos – ou ir até as praias daqui de perto- e deixar o vento nordeste te achar pra poder sentir o que aqui tentei descrever. E ser quiser conhecer o “sofá-encantado-do-vento-encanado-da-casa-da-rua-do-Gás” ... bem aí, não sendo da família ou do nosso círculo de amizades, só se tivemos a graça de algum dia nos conhecermos.

Carpe Diem!

Campos dos Goytacazes, 5 de janeiro de 2022

MEMÓRIAS DE UMA VIDA

A Infância na rua 21 de abril

Morávamos no número 162 ou 164 - se não me engano- bem próximos da esquina com a rua do Ouvidor. Uma pequena mas aconchegante casa alugada onde moramos até nos mudarmos pra casa da rua do Gás, que o pai comprou, já por volta de 1960. Assim, nessa casa da rua 21 de abril, morei até os meus 6-7 anos de idade. Tínhamos como vizinhos de parede - era dessas casas que ocupavam o terreno todo, todas coladinhas umas nas outras e cuja frente terminava já na calçada, construções bem típicas da Campos daqueles tempos - 2 senhoras de mais idade que faziam os melhores suspiros que já comi na minha vida.

A casa seguinte, ainda do mesmo lado da rua, era a do "seu" Almir (do Bar São Jorge) e da "dona" Naisha ( pronúncia " Naiza" ) , que ali moravam com seus filhos, a Vírgínia, o Totonho, a Gracinha e o Jorginho, este da minha idade e que era o meu amigão da rua !

Do outro lado da rua, bem quase em frente (defronte) à nossa casa, tinha um terreno enorme com 2 casas onde moravam 2 famílias com um " montão" de filhos! Era a " dona" Maria José e sua " troupe" e, acho, sua irmã e Cia. Dos meninos e meninas dali dessa turma me lembro bem do Antonio Carlos (o Tonico Pereira), do Jorge, que eram um pouco mais velhos do que eu e do Valdir, mais da minha idade e de quem me lembro bem, pois fomos companheiros na equipe de natação do clube Saldanha da Gama.

Bem, falava que o Jorginho (filho do seu Almir) era um dos vizinhos e amigão das brincadeiras que eram na rua e - pra desespero das nossas mães - dentro das nossas casas.

Uma das nossas brincadeira favoritas, dento lá de casa, era a de " bang-bang", mocinho e bandido - naqueles tempos, não era nada demais brincar de revolver de espoleta e arco e flecha de brinquedo. E numa das " batalhas " travadas entre os índios ( eu, era o índio, por razões óbvias , dado os meus cabelos negros e a pele bem morena ....um indiozinho " perfeito" ...) e os brancos ( o meu irmão, o Dozinho e o Jorginho eram os " cara-pálidas ) , eu me escondi, escalando o corredor estreito que ligava a sala de jantar à cozinha, me posicionando bem no alto, colado , praticamente , no teto - Deus me livre se a mãe chegasse e me visse ali - apoiando as pernas nas paredes do corredor . Verdadeiro malabarismo. E quando o Jorginho passou por baixo, sem me ver, eu acertei uma flechada na sua careca - ele cortava o cabelo, " máquina zero", lembram disso? " Pimba"...! Claro que não o machuquei, a pressão das flechadas não eram tão fortes e, claro, tinha uma borracha na ponta que fazia com que a flecha grudasse na superfície atingida. Já viram o susto que ele, o Jorginho tomou!!

E fim de brincadeira, correria pra lá e pra cá e acho que a mãe chegou, lá de trás da casa e botou todos pra fora!

Não sei se foi neste mesmo dia, mais tarde ou num outro, que por alguma razão eu e o Jorginho - imaginem os 2 grandes amigos -nos embolamos numa briga de rua, em frente à nossa casa. Que coisa!!! Logo nós dois! Eu, por ser um pouco mais encorpado que o Jorginho (pra não dizer mais gordinho) o derrubei e subi em cima da barriga dele, pra tentar imobilizá-lo (acho) e " parecendo" que estaria ganhando a briga. Mas ele, de pronto, mesmo deitado e com uma cara bem enfezada, me acertou um belo soco no queixo ( não foi muito forte, nem doeu muito....rsrs) e ....a briga terminou ali , com um veredito , dado pela cara dos demais que assistiam , de empate! Claro, eu o derrubei: ponto pra mim; ele me acertou um belo direto no queixo: ponto pra ele.  Fim de briga. Empate. Saímos dali, abraçados com certeza e nunca mais tivemos qualquer briga! Coisas de meninos!

O “seu” Almir do Bar São Jorge

O “seu” Almir Ferreira era muito amigo do meu pai. Eram ambos comerciantes em Campos (o pai, “seu“ Godofredo Cruz Júnior – isso mesmo, o nome do estádio do Americano Futebol Clube, o “ Glorioso” , tinha seu nome, estádio Godofredo Cruz, em homenagem ao meu avô-  era um dos sócios da Casa Eletra Ltda., uma das mais antigas e tradicionais lojas de material elétrico da cidade)   e creio que desde jovens já andavam ...e voavam juntos. Seu Almir, sócio do Bar São Jorge, era piloto privado e tinha como um dos seus hobbies, voar! E o pai sempre nos contava que eles faziam incríveis passeios sobre a região de Campos, a bordo de um “Paulistinha” (monomotor de instrução e treinamento) do aeroclube de Campos.  O pai nos levava de vez em quando ao aeroclube pra ver o amigo voar. E numa dessas vezes – eu também, desde pequeno demonstrava interesse pela aviação- pedi ao pai pra voar com seu Almir. Eu devia ter, acho, no máximo uns 10 anos. E o meu pai deixou e lá fui eu, todo bobo, a bordo do Paulistinha, voar com seu Almir, com um misto de medo e emoção. O carona, nestes casos, sempre senta na parte da frente – o Paulistinha, monomotor a hélice, de 2 lugares, um assento na frente e outro atrás, com controles bem simples- e lá estava eu, na cabeceira da pista, no banco da frente vendo e ouvindo aquele motor barulhento à minha frente. Seu Almir, ao fazer o “checklist” do motor e controles, ia me explicando cada comando do avião. Lá estava eu, aos 10 anos, tendo a minha primeira aula de piloto amador, todo interessado. “Aqui é a alavanca do acelerador”, falava, me mostrando a pequena alavanca, ao lado esquerdo do “cockpit”, na altura da janela e empurrando-a toda à frente, testando a rotação do motor ao seu máximo – claro, segurando o avião no freio para que não se movesse; “ ...este é o manche  (uma alavanca grande que saía do chão à frente de cada ocupante)  que é  a direção, equivalente ao volante de um carro” explicava pacientemente ...” se você o move para si, puxando-o , o  avião sobe” ,  me explicava e mostrava qual a superfície de controle aquele controle comandava , apontando pra  cauda  da aeronave, para eu ver o profundor se movimentando pra cima ...., “ se você o move pra frente , o avião desce “  e me mostrava o profundor se movimentando no sentido oposto ao movimento anterior;” para fazer o avião fazer uma curva à direita, você “joga” o manche pra direita e , ao mesmo tempo, aciona o pedal direito” e me mostrava onde estava o tal pedal embaixo, ao alcance dos pés ( de um adulto) ...e me mostrava quais superfícies de controle aqueles comandos acionavam , me apontando o leme de direção – que virava pra direita ou esquerda ao se inclinar o manche naqueles  sentidos – e os “flaps” nas asas, que se moviam pra cima e pra baixo, de acordo com o pedal acionado – ou era ao contrário, o manche movimentando os “flaps” e os pedais o leme de direção, tenho que voltar a estudar isso. Incrível, eu estava tendo, realmente, uma verdadeira aula de como se pilotar um Paulistinha, aos 10 anos, com seu Almir e que jamais esqueci as lições aprendidas (muito tempo depois, já morando em Florianópolis, aos 24 anos, eu comecei a fazer um curso de piloto privado, onde tive essa aula e ...foi exatamente como o seu Almir tinha me ensinado. Eu “já sabia” tudo!)

Como foi emocionante! ”Check” feito, seu Almir começa a levar o avião vagarosamente pro início da pista, para decolarmos....e lá fomos nós, rolando cada vez mais rápido sobre aquela curta pista  e ...decolamos, que emoção ! Lembro-me como se fosse hoje,  aquela sensação do meu primeiro voo. O medinho, que por breves momentos senti, se foram, à medida que ganhávamos altura e o avião imbicava em direção ao centro da cidade (o aeroporto de Campos, como todos sabem, fica ali, no outro lado do rio e naquele dia, decolamos no sentido norte), fazendo a nossa primeira curva! Quem, por ventura, já teve o prazer de voar um avião desses, sabe das sensações que tento descrever – e aí me vem também, claro, as lembranças mais recentes, do curso que fiz, já adulto. O avião é muito simples, e a cada curva, tanto o piloto como o passageiro (ou outro piloto) da frente, devem ajudar, inclinando também seu corpo, tipo que se faz ao se fazer curvas com motocicletas. O avião é muito sensível aos controles – tem horas que se tem a sensação que vai virar ... mas não vira mesmo. ... este avião de instrução foi projetado pra, por mais “besteira” e erros que o piloto faça nas curvas, ele se estabiliza, “não deixa o piloto virar o avião ... claro, esses detalhes, aprendi no curso que fiz já adulto, mas as sensações pelas quais passei, já as tinha sentido todas, naquele voo com seu Almir ...!

Fizemos um belo passeio sobre a região da cidade e cerca de meia hora depois estávamos de volta ao aeroclube, fazendo uma aterrissagem tranquila.

Detalhe “pitoresco” desta minha aventura: anos mais tarde, o pai me confidenciava que seu Almir era, algumas vezes, um pouco “barbeiro”, melhor dizendo “ distraído”,  pilotando – embora o pai confiasse plenamente na sua competência (tanto que voavam frequentemente juntos e chegou a confiar o seu filho aos seus cuidados naquele dia do meu voo) - e que já havia arrancado algumas cercas que ficavam perto da pista, em decolagens e/ou aterrissagens um pouco “ atrapalhadas” .

Mas isto era apenas um pequeno detalhe...!

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Revendo outros escritos meus, achei um caderno bem grosso, estilo livro, no qual comecei a escrever o que chamei de “ Minhas Memórias à Mão” , pois todo escrito `a mão mesmo com uma bela caneta tinteiro Parker que tenho há tempos e adoro escrever com ela. E relendo o que já havia escrito- comecei já há algum tempo, não sei precisar quando- começando desde o meu nascimento e contando tudo que venho me lembrando da minha vida, as passagens que acho interessante documentar, achei :  claro lá estavam minhas lembranças da rua 21 de abril. E revendo o que escrevi, sobre o “episódio” da flechada na careca do Jorginho, vi que documentei que a “arma” que usei não foi um arco e flecha como contei aqui antes e sim aquela maravilhosa “metralhadora de mão” que, acho, todo garoto, classe média, da nossa época teve, a famosa “ Pim-Pam-Pu” ,da Estrela, ( era este o nome não era ? ). Bem que eu estava desconfiado que “como teria eu manejado um arco e flecha, pendurado, quase no teto, com as pernas de cada lado de uma parede?”  Taí a resposta, foi com a minha “Pim-Pam-Pu” de - se não me falha a memória- 6 flechas. Como era gostoso “atirar” com aquele brinquedo. Bem, a careca do Jorginho que o diga ...com todo o respeito do   saudoso amigo!

Divertíamo-nos, com coisas simples e com muito pouco e era muito bom !

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A Aventura de ir até à beira do rio

Como morávamos ali pertinho do rio Paraíba do Sul, uma vez “seu” Almir nos levou (eu, o Jorginho e ...não me lembro se os demais filhos também foram...creio que tinha mais gente, talvez só o Antônio, irmão mais velho do Jorginho) para assisti-lo tomar um banho e nadar no rio.  O rio Paraíba do Sul, bem conhecido nosso, campistas “da gema” que somos, era (e ainda o é) um belo e majestoso rio. Seu trajeto pelo centro de Campos, bem largo, dividindo a cidade em dois lados, a cidade em si e “o outro lado do rio, como costumávamos nos referir ao bairro de Guarus, do outro lado do rio, dá um toque diferente à cidade, uma beleza que poucas cidades no país têm – na minha opinião. Ele passa formoso, forte, em alguns pontos com redemoinhos que sempre nos assustava. Águas barrentas, na maioria do tempo, mas verdes algumas boas vezes, cruzado por – naquela época- 3 pontes para carros e pedestres e 1 ponte ferroviária. Poucas cidades, no país tem um rio desse porte cruzando a cidade, desfilando suas águas ali pertinho da principal praça da cidade – a praça São Salvador- ao passar pela região central. Palco de memoráveis regatas e algumas competições de natação – sim, mais tarde, quando já nadava na equipe de natação do C.R. Saldanha da Gama, participei de alguns treinos e competições no rio. Experiência inesquecível, nadar naquele rio que para mim, bem criança neste episódio que conto, com seu Almir, parecia algo inatingível.

Voltando ao meu primeiro passeio à beira do rio – acho que meus pais nunca souberam disso ...acho – lembro-me como se fosse hoje, seu Almir nos ensinando como descer a rampa que dava acesso à beirinha do rio mesmo, da rua, ali, quase em frente ao clube Rio Branco. “...vocês têm que inclinar o corpo para trás e pisar firme, sem medo...”  e lá ia ele à frente nos mostrando como fazer...e nós o seguíamos, como bons e comportados pupilos.

Depois ficávamos por ali, brincando em chão firme, enquanto ele dava suas braçadas e boiadas!

Momentos que ficaram na minha memória...e olhem que eu deveria ter, no máximo, uns 5-6 anos!

Grande seu Almir!

 

domingo, 19 de dezembro de 2021

Reflexões de uma noite dessas...Será que publico ?...Por que não !

 Vá, siga em frente,  sinta seu coração e...

                                                                 Pule

Talvez no vazio de uma queda, um galho de esperança surja e...

                                               Te segure se ...

                                                                Você esticar o braço para a vida!

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Saiba cair e levantar-se tantas vezes quanto for preciso

Siga em frente, acreditando que pode chegar a algum lugar, desde que seja o seu lugar

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It´s better to fail loving than 

                                           Trying to be right all the time

Without having loved ...

                                 Life

                                        Somebody

                                                   Yourself

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sábado, 27 de novembro de 2021

A MULHER IMAGINÁRIA(?) INVISÍVEL

          

    Ele a viu, pela primeira vez, numa mostra de arquitetura, numa “Casa Cor” dessas que teve, já faz alguns anos. Ela chamou sua atenção pela beleza, pelo charme e, naquele momento, nem lhe passou pela cabeça maiores interesses. Ele estava num relacionamento muito bom, mas ela lhe despertou algo mais, uma certa e diferente atração, talvez fosse a palavra certa– será que ele olhava pra tudo quanto era mulher bonita assim? ...ou aquela, em especial, tinha algo mais ...?  Guardou pra si apenas a sensação de mais um desses momentos de admiração, de contemplação...assim pensava na época...ou, ao menos, achava que assim pensava!

O tempo passou e ele nunca mais a viu, embora ouvisse falar dela – pois arquiteta renomada na cidade. Lembrava, vagamente, de ter esbarrado com ela, na praia, num desses verões maravilhosos, numa badalada praia da cidade. Ao chegar na praia, ela estava de saída com sua filha pequena e não estava acompanhada – na época ele, que estava "single", recém-saído do seu último relacionamento, prestava mais atenção nestes detalhes...! Trocaram um cumprimento rápido, por educação, do tipo “...oi, tudo bem...”, fruto, talvez daquele contato lá trás na tal mostra de arquitetura, quando conversaram um pouco sobre o projeto que ela apresentava e ficou a sensação de que já se conheciam.

As águas rolaram, amores novos vividos e encerrados, e eis que ele a acha, mais uma vez, só que, agora, na “Rede”, na “Web”, numa dessas redes sociais digitais, no Instagram.  Passou a ver seus “posts”, passou a “segui-la”, se tornando apenas mais um dos seus mis seguidores – ela publicava muita coisa dela e da sua filha, assim como várias dicas de decoração e também publicações  sobre projetos de arquitetura e outras de cunho pessoal, sobre momentos de lazer em casa e também fotos de  viagens. Ele curtia e fazia breves comentários e esperava que ela o seguisse de volta – o que não aconteceu, para sua frustração. Ele também tinha um perfil no Instagram, onde publicava mais fotos e, eventualmente, algumas prosas – fotógrafo amador que era e, autointitulado, aprendiz de escritor!

Esperava, com o tempo, que alguma relação – ao menos de amizade - se desenvolvesse. Chegou a ser um pouco contundente – vencendo uma certa timidez - convidando-a para um café, um almoço na beira da praia– tudo por mensagens – sendo elegantemente recusado. Pensou em desistir do contato, mas algo o impedia de fazê-lo e assim continuava, enviando “likes” , “ emojis” , curtidas, pras suas publicações nos “ feeds” e “ stories” do Instagram. Terminologia desses tempos modernos da cultura digital!

Mais recentemente ao comentar uma de suas publicações – um vídeo de uma bela paisagem- descobriu que ela morava no seu bairro, até bem próximo da sua casa.  Mas como podia ser isso, se nunca – quase nunca, pois uma única vez a viu de carro pelas suas redondezas- a via pelo bairro, pensou, intrigado. Tinha até certa certeza que ela moraria num outro bairro bem distante, pelas fotos que publicava, e que o fazia lembrar de uma outra praia da cidade. Ao compartilharem comentários sobre fotos de uma bela noite de lua cheia, descobriu que sim, ela morava bem perto da sua casa.

Intrigado, pensava como tal coisa seria possível se nunca a vira, nem num Super, nem numa Farmácia, nem nos Cafés, nem nos restaurantes do bairro, nem nas praias por perto, nem andando por aí e nem dando uma volta de “ bike” na ciclovia do bairro e nunca nem mesmo  chegou a cruzar de carro por ela – o que, certamente, teria notado. Chegou até a perguntar pra ela – sempre por mensagens – como assim? Ao que ela lhe respondeu que , “ ...praticamente não saio, não circulo por aí, fazendo tudo em casa ...” (?) . Ou será que ela saia e usava uma capa que a tornava invisível, começou a   voar na sua imaginação!

Isso, ela deve ter aquela capa das historinhas de filme de ficção científica, que quando veste, a torna invisível e ela pode sair por aí sem ser notada, pensava. Só podia ser isso, pois ele morava no bairro, desde que chegou na cidade –vindo do Rio - há muito, muito tempo e mais especificamente naquela vizinhança há quase 20 anos e nunca a via por perto. Bem, provável que ela tivesse se mudado há pouco tempo – era uma curiosidade que iria tentar sanar. Já havia descoberto (?), numa dessas trocas de mensagens,  que o tal outro lugar das fotos do seu Insta era, realmente, numa outra praia, o apartamento onde ela  morou antes de se mudar pra esse bairro onde ele morava, conjecturava.

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Ele tomou coragem e a convidou, mais uma vez, para sair e fazer algo juntos – já que ela comentou que estava sempre muito ocupada, o tempo todo praticamente em casa e, parecia,   “desligada“ do mudo exterior! Fazer uma trilha inusitada, tomar um café especial, almoçar num lugar diferente, etc., etc., ..., chegou a fazer uma listinha de coisas interessantes e diferentes pra ver se ela se interessaria! E mais uma vez (sic),  recebeu, de forma educada e elegante, uma bela recusa...! Tststs...! O placar lhe era bem desfavorável: 0 x 2 ... e ainda no primeiro tempo!

Bem, o que fazer? Pensava com seus botões ...! Ele estava com essa curiosidade e vontade, muito forte de querer conhecê-la melhor. Ao vivo e a cores, pois só a conhecia (?) de vista e pelo Instagram, pelas suas publicações e pelas poucas mensagens que tiveram chance de trocar!

Não sabia se a “transformava” em personagem de um romance ainda a ser escrito, pra esquecê-la de vez – sugestão de um escritor que ele leu em algum lugar, sobre como se esquecer de uma mulher que não te corresponde; se continuava com esse contato digital (Instagram), e imaginando-a invisível quando saísse por aí, com sua capa mágica ou se..., se ... – faltavam-lhe palavras pra decidir o que fazer, pois tarde da madrugada já era quando pensava sobre tudo isso.

Pensou – antes de parar pra dormir um pouco- que, talvez, fosse tudo imaginação sua desde o começo dessa história. Que ela tivesse sempre sido a "Mulher Maravilha" apenas nos seus sonhos, imaginária e invisível com a sua capa mágica, o tempo todo. Que aquele momento na mostra “Casa Cor “ nunca tivesse ocorrido e que o encontro fortuito na praia tivesse sido também fruto da sua imaginação. E que toda essa história de segui-la no Instagram e até essas poucas trocas de mensagens relatadas, parte do enredo do seu imaginário.

Quem sabe melhor assim, para, pelo menos, dormir em paz...pelo menos hoje, agora!

 

P.S.: esse relato é uma ficção,  criação desse aprendiz de escritor  e qualquer semelhança com fatos e personagens reais , pode não ser mera coincidência !

 

terça-feira, 2 de novembro de 2021

AMIZADES

 

Não deveríamos deixar perder as amizades, cair no esquecimento confianças conquistadas, sentimentos alimentados com pureza que só os amigos reconhecem.

Não deveríamos esquecer aqueles momentos eternizados, que o tempo e a distância nos pregam peças e transformam em meras lembranças, em "me lembros de longe”, em fotos amareladas, algumas rasgadas, outras perdidas.

Amizades que valem ouro e, no entanto, são tratadas como algo que um dia tivemos, que gostaríamos de ter mantido, mas que deixamos o vento levar, o tempo apagar, segurando apenas umas poucas daqueles tempos, que insistem em ficar...ainda bem !

Tempos que não voltam mais a não ser nas lembranças, nas viagens da mente, nos sonhos, nos devaneios da imaginação, no horizonte de um dia de chuva.

Algumas verdadeiras amizades, embora não regadas como flores nobres de um jardim, que tanta atenção deveriam receber, deixadas de lado, mesmo assim, como que perdoando essa pequena grande falta, como que entendendo que esses amigos só têm andado muito ocupados, muito atarefados, ficam só adormecidas, prontas para serem novamente colhidas, nutridas, queridas.

Felizes daqueles que percebem o jardim que têm a seu alcance, a um só lance, a um só chamado, a um toque de telefone de distância, às vezes do outro lado do mundo, às vezes logo ali, ao virar a esquina, do outro lado da rua, na porta vizinha, muitas vezes até bem pertinho, sentado naquele cantinho que só os amigos sabem achar.

Mas por que, então, sou tão relapso? Por que não avanço um passo, atravesso a rua, pego o carro, o ônibus, o avião ou pelo menos o telefone ou o computador com seus e-mails a jato e atravesso esse espaço que me isola do tesouro que um dia garimpamos, descobrimos, que um dia construímos , que um dia vivemos ...!

Por quê?




terça-feira, 14 de setembro de 2021

O Grande pequeno Mateus...!

 ( esta pequena crônica foi escrita, em 6/08/2010 , originalmente no meu "Livro Agenda" ainda a ser publicado ) 

Hoje conheci o Mateus, 3 anos, super esperto, uma figurinha .

Imaginem só o que falou do alto da sua pequenez, esse "tampinha" . Acaba de dizer - sentado estava na sua poltrona no avião :

- " ...quero levantar ...para ver coisas..." 

E em pé ficou, vendo suas coisas, com certeza  lindas, imaginárias algumas, reais outras,  mas que sem dúvida, invisíveis aos nossos olhos de marmanjos que somos, distantes dos nossos arcanjos.


( A mãe do Mateus - vim a saber quando conversamos um pouco - é enteada de um amigo que mora em Florianópolis, o Paulinho Guinle. Por coincidência fui escrever uma " cronicazinha"  ( ou seria uma " "croniquinha" ?) sobre o " enteado-neto "  de um amigo, que conheci durante um voo Florianópolis-Rio.)

Disse a mim mesmo que assim que chegasse de volta à Floripa, entregaria esta crônica ao Paulinho, para que desse ao Mateus, como lembrança do nosso encontro. Coisa que, obviamente , não o fiz na época, só agora sendo concretizada, 11 anos mais tarde (14/09/2021). O que achará disso, o Mateus, agora um garotão de 14 anos ?


14/09/2021

sábado, 28 de agosto de 2021

A ida ao Fórum em São João da Barra...!

 - Amigo, vamos dar um passeio até São João da Barra ? - , me ligou um velho amigo de adolescência, durante a minha estada na minha cidade natal, Campos dos Goytacazes, RJ.

- Tenho que ver uns documentos num cartório e vamos botar a conversa em dia- completou o Victor Hugo,  velho companheiro dos tempos de adolescência e da equipe de natação do Clube de Regatas Saldanha da Gama.

O convite foi imediatamente aceito, tanto pela vontade de passar algumas horas com um velho amigo , que pouco vejo, desde que saí da cidade para estudar no Rio , como pelo passeio em si , uma vez que o vilarejo de São João da Barra, a cerca de uns 40 km da cidade , é um lugar aprazível , perto da praia de Atafona, onde provavelmente iríamos almoçar e, por último mas não menos importante, tem a dona Maria, doceira da cidade que faz, de modo artesanal, a melhor goiabada cascão que já comi na minha vida.

O Victor me pega em casa, com seu poderoso Mercedes preto , modelo 2015, aquisição dos bons tempos de sua vida profissional como cirurgião plástico, dos mais renomados da cidade, e lá vamos nós, pela estrada que liga a cidade ao litoral, pela planície Goytacaz. 

O Victor precisava acessar um determinado documento que , em princípio, estaria num cartório da cidade de São João da Barra, mas que logo descobrimos que estaria no Fórum da cidade.

E lá fomos nós, bem relaxados, de bermudões - fazia calor naquele  belo dia de inverno - até o Fórum, crentes que seria bem rápido nossa investida na busca do tal documento forense e que logo estaríamos na foz do rio Paraíba do Sul, sentados à uma mesinha no  restaurante do Ricardinho, à beira-rio, comendo um belo prato de  peixe.

E qual não foi a nossa surpresa ao chegarmos na entrada do Fórum - que mais parecia um " check-out" de aeroporto, com guardas, máquinas de raio X para passar, etc. e tal - e nos depararmos com um guarda que logo foi vociferando :

- Aí senhores, não pode entrar de bermuda - ,  apontando para um cartaz pendurado na parede lateral e esboçando um leve sorriso, como se tivesse prazer em impor tal impedimento  aos dois  jovens senhores da cidade que ali estavam todos " animadinhos" .

Bem, curioso que sou e estranhando a proibição, resolvi ler de perto o tal aviso que dizia , mais ou menos,  o seguinte :

" Proibido a entrada de bermudas acima do joelho, mini saia, shorts, blusas decotadas, ... "

Assim que acabei de ler todo o aviso, retruquei ao " guarda amigo " :

- Bem, o aviso diz " bermudas acima do joelho"  e nós dois estamos com bermudões, bem abaixo do joelho.

Ao que o guardinha logo retrucou :

- Isso é para as mulheres, pra homens , tem que ser de calça comprida .

E eu, que gosto das coisas bem esclarecidas,  retruquei de volta :

 - Mas onde está escrito isso ? No cartaz não fala que é para mulheres.

O guarda contra-ataca : - O senhor faz o favor de me obedecer, essas são as ordens do Juiz e está numa portaria, que está reproduzida logo ali embaixo do cartaz.

E lá fui eu ler a tal portaria - chato que sou com essas coisas - e não encontrei nada falando o que o guarda afirmava , apenas fazia referência a uma norma número " 1234..."

Minha vez de contra-atacar :

- Mas não tem nada aqui escrito que fala isso - , já prevendo a reação mais furiosa do guarda.

- O senhor,  por favor, obedeça às minhas ordens, qualquer reclamação o senhor escreve por Juiz, reclamando !! - disparou o representante da Lei .

Bem, temendo que se eu continuasse a argumentar mais alguma coisa, iríamos acabar recebendo voz de prisão - e tudo que não precisávamos era ter que acabar ligando pra algum advogado amigo nosso, em Campos , pra vir nos tirar da cadeia de São João da Barra- capitulamos e saímos , pensando que tínhamos perdido a viagem. 

Claro que visualizamos a solução, antes mesmo de sairmos do hall de entrada do Fórum . E , olhando pro guarda,  falei :

- OK, nós vamos dar um pulinho ali no comércio local , comprar umas calças compridas e já voltamos .

Acho que o cara pensou que estávamos de brincadeira e não deu muita bola pra gente, enquanto saíamos e já procurando por alguma lojinha de roupas na vizinhança.

Falaram pra gente que teríamos que ir até a rua principal do comércio local  e lá fomos nós , passos apressados , achando tudo aquilo um grande absurdo - por ignorância nossa, pois, como mais tarde verifiquei , cada Fórum tem suas regras quanto às vestimentas permitidas e  praticamente todos  exigem " calças compridas para homens e proibição de shorts, mini saias e decotes ousados para mulheres" . Mas nenhum - nas pesquisas que fiz- com alusões a " proibido bermudas acima do joelho , válido somente para as mulheres...".

Antes mesmo de entramos na rua principal, localizei a nossa solução , bem ali perto, a " Imperial Modas " , uma pequena loja de vestuário , tamanho 3x4, bem arrumadinha e com a dona e atendente, a Luciana, super simpática que nos recepcionou super bem.

O Victor - principal interessado, pois seria somente necessário que ele comprasse uma calça e eu poderia esperá-lo do lado de fora - foi entrando e logo perguntando :

- Qual a calça mais barata que a senhora tem pra nos vender, pois só precisamos dela pra dar uma entradinha ali no Fórum ? 

Ao que ela logo o atendeu mostrando uma pilha de calças de Tactel, tipo de ginástica, simples, mas bem "jeitosinhas" , a um preço de R$ 25,00 !  

Procurado ajudá-lo, escolhi uma de cor básica, cinza, e perguntei se teria tamanho GG pois achava que o meu amigo vestiria tal tamanho . Só tinha G e , para a minha surpresa, coube bem legal nele. Eu me enganara no meu " golpe de vista" da sua cintura. 

Achando bonita a calça e com o preço bem sugestivo, resolvi também comprar uma pra mim, já que assim uniria o útil ao agradável, pois poderia também entrar no Fórum e  continuar a dar a ajuda que eu já vinha dando ao Victor na busca do tal documento.

E, achando que o tamanho M serviria em mim, pedi uma calça da mesma cor - iríamos de " uniforme" - que só tinha mesmo neste tamanho. E qual não foi a minha surpresa - errando no golpe de vista mais uma  vez  - que a calça sequer passou pelas minhas pernas! Tive que ficar com uma G também mas que só tinha numa outra cor, vinho, que acabou se mostrando também  " bonitinha " ! (descobri-me mais " fortinho" - mais correto  seria " fofinho" - que eu imaginava ! )

Ao me dirigir pro Caixa pra pagar, brinquei com o Victor:

- Bem que você poderia pagar a minha junto com a sua e me dar de presente, né ? Já que estou aqui te ajudando e tendo que entrar no Fórum por sua causa.

Ele, já sentado, vestindo  sua nova calça, me esperando , só retrucou , sarcasticamente gentil :

- Para evitar o constrangimento de tal não fazer, já paguei a minha compra, ahahaha...- sorriu com seu simpático e  largo sorriso! Coisas do Victor!

Saímos dali bem contentes com a nossa aquisição, ambos de " look" novinho, pronto para adentramos ao Fórum de São João da Barra, bem de peito estufado, passando pelo tal guardinha.

Pena que ele não estava lá a hora que retornamos e torcemos pra agora não implicarem conosco mais uma vez, pois  eu estava de tênis e o Victor de mocassim sem meia ! Deu tudo certo. Fomos admitidos e resolvemos o que tínhamos que fazer lá dentro. 

Ao sairmos fizemos questão de fazermos umas fotos com as calças novas , na entrada do Fórum. 

Quis fazer uma pose teatral, de dupla com o Victor, assim de pernas pro lado, tipo coristas de um corpo de balé, mas o Victor rejeitou, achando que aquilo seria muito feminino , pra não dizer outra coisa...! 

Coisas do Victor !

Terminamos nossa aventura em S J da Barra, comprando as maravilhosas goiabadas cascão na dona Maria e depois com um belo almoço no restaurante do Ricardinho,  no Pontal de Atafona, à beira rio, na foz do majestoso Paraíba do Sul .

Uma tarde mais que prazerosa e divertida pelos cantos e encantos de São João da Barra em companhia de um grande amigo dos nossos tempos de adolescência!





quarta-feira, 16 de junho de 2021

COISAS DITAS...NÃO DITAS...!

 Coisas ditas

      Não ditas

         Mal ditas

                      Malditas ?!


Palavras esquecidas

                      Murmuradas

           Gritadas

                  Caladas

Espaçadas...curtas

Finas....grossas...


A quem seriam dirigidas ?

Não formassem frases de nada adiantariam

Seriam como pedaços de um muro

Jamais construído !